IA e a Música: ferramenta ou ameaça?
Na Latin Rio 2026, três especialistas da indústria musical sentaram
para debater o avanço da inteligência artificial.
O que surgiu foi mais profundo do que uma discussão técnica
– afinal, onde está o valor do humano?
44% das músicas enviadas às plataformas, hoje, são inteiramente produzidas por IA. Em janeiro de 2025, esse número era de 10%. Ou seja: em 15 meses, o volume quadruplicou.
Fonte: Deezer
Três perspectivas, um diagnóstico
"O verdadeiro produto da música é a intenção artística – e isso nenhuma IA entrega."
Ian Harrison
CEO
A2IM
"97% das pessoas não distinguem música de IA, mas 80% querem saber o que estão ouvindo."
Pedro Kurtz
Diretor de Operações nas Américas
Deezer
"Não se pode destreinar um modelo. Se obras protegidas foram usadas sem autorização, esse é o pecado original: e a resolução será política ou judicial."
Filipe Medon
Professor de Direito Civil
FGV Rio
Muito ruído, pouco retorno
Segundo os dados levantados pela Deezer, hoje são 75 mil músicas adicionadas por dia nas plataformas. Com o catálogo inflado, a monetização artística se perde e as obras dos criadores reais (aqueles tais humanos) ficam cada vez mais difíceis de encontrar. O resultado prático do volume de IA nas plataformas não é uma revolução criativa – é pura interferência tecnológica. Ruído que não retorna.
E sabe o que é mais revelador? Apenas 1% a 3% dos streams totais (os plays) nas plataformas são de faixas de IA. Ou seja, o público não está ouvindo, e sim ignorando. O que cresce aqui, então, não é o consumo nem o interesse.
Com essa conclusão, fica a pergunta: existe algum ser humano que se beneficia com essa relação? Os artistas, até agora, não. Nós, como ouvintes, também não. E as plataformas, cada vez menos.
As ferramentas até mudam. O que fica de verdade é o valor do que é autoral.
O papel das pessoas não mudou
O mundo anda mudando rápido. Mas ainda é o papel das pessoas – fãs, consumidores, artistas – que define se uma música funciona ou não, seja nas plataformas de streaming ou para marcas em pontos de venda.
Quando a Deezer passa a remover faixas de IA das suas playlists editoriais, esse não é um movimento só técnico, é uma resposta à demanda humana.
Nesse caminho, marcas que usam som de forma genérica estão perdendo uma oportunidade real de conexão, além de correr risco de gerar estranhamento. Afinal, a curadoria humana não é um método de trabalho, ela é a resposta ao que o público pede.
Cabe a nós, humanos, usar a voz
Ouça as playlists →
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